domingo, 29 de dezembro de 2013

Eu não faço a menor ideia do que eu estou fazendo com a minha vida

Eu tenho um impasse.
A verdade é que eu passei cerca de uma semana decidindo se eu criaria este blog ou não. Mas a mágoa era tanta que eu estava a ponto de cultivar em pequenos potes e distribuir para aquelas pessoas que são insuportavelmente felizes. Só pra elas pararem de me perguntar o tempo todo o porque eu ser tão pessimista, tão pra baixo. Quem sabe com uma amostra do que me perturba elas deixem de ser tão repugnantes e me deixem em paz.
Então eu decidi fazê-lo. Eu sempre escrevi, o tempo todo, mas normalmente são pessoas e situações que não existem - e por mais que tenha um pouco de mim em cada uma delas - eu acredito que não seja a mesma coisa. A mágoa continua aqui, se multiplicando dentro de mim, sem parecer que um dia desaparecerá.
Eu sinto falta do meu psicólogo. Por mais que ele só fale merda e nunca realmente me diga algo que eu já não saiba, eu sinto falta de poder simplesmente falar e falar sem ser interrompida. Sem que alguém me diga que tem mais problemas do que eu ou que eu estou fazendo manha.
Todos sempre acham os seus problemas importantes demais pra sequer ouvir os meus. Não que eu menospreze ou inferiorize os problemas deles, quem sou eu pra julgar o problema alheio, mas eu normalmente escuto. Na verdade é só isso que eu faço.
Minha mãe tem muitos problemas, ou ao menos é o que ela diz.
9 em cada 10 coisas que minha mãe me diz são reclamações e xingamentos sobre o meu irmão. Ela fala o tempo todo, o dia inteiro coisas que eu sei de cor e poderia repetir de trás pra frente se alguém me pedisse pra fazer isso. Mas eu sei que ela queria alguém pra escutar, então é só isso que eu faço. Escuto. Acho engraçado o fato de ela não ter percebido que eu nunca falo nada nessas conversas. Na maioria das vezes eu só balanço a cabeça até que ela pare de falar. Preciso confessar que algumas vezes eu não escuto realmente, só balanço.
Me sinto mal por isso, mas ao contrário de mim, pelo menos ela tem alguém que a escute. Ou faço ela acreditar que tem. Enquanto eu pago alguém pra fazer isso, e que nem se dispõe a me atender nos feriados de fim de ano.
Merda.
Mas, no fim, não é como se ele se importasse.
O objetivo deste blog é esse eu dizer tudo e não dizer nada ao mesmo tempo. É eu poder ser eu mesma e criticar as pessoas sem que elas saibam que estão sendo criticadas.
Alguns vão pensar que eu não existo, outros vão morrer pra querer saber quem eu sou. E eu não me importo, pensem o que quiserem, contanto que leiam.
O nível de postagem vai ser proporcional ao meu nível de frustração, ao meu nível de raiva e pensamentos destrutivos, que se formos levar em consideração a média que os venho tendo, será constante.
Eu sei que esse texto está longo, cansativo e provavelmente confuso demais pra que alguém entenda alguma coisa. Mas a vida é assim: sempre confusa, longa e cansativa. E eu não dou a mínima, nem pra vida, nem pra textos. Bem, pra textos eu dou, mas não é como se você - ou alguém - se importasse com o que eu ligo ou não. A não ser meu psicólogo, mas eu pago para que ele se importe. Ou finja se importar.

3 comentários:

  1. Obrigada. De verdade. Sabe, eu nunca pensei que sentiria falta da minha psicóloga, nunca tinha sequer considerado isso, até que um dia ela me perguntou se eu tinha medo de ser abandonada por ela. Na hora, desconsiderei, achei bobo e até presunçoso, mas agora... espero pela próxima consulta. Já havia dito a ela: "não tenho medo de ficar dependente de você, é uma coisa boa"... Vai saber se ela se importa de verdade? Pelo menos está sendo muito bem paga para me ouvir e não me julgar, não se comparar -como você mesma disse. No final das contas, acho que ter uma pessoa imparcial -mesmo paga- é melhor que alguém de dentro que vai escolher um "lado".

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  2. Cara, ainda não estou respondendo os comentários, mas quando vi o que você escreveu no meu blog, tive que passar aqui. Sério, fico muito grato por tudo que você escreveu pra mim, e é realmente muito legal saber que eu "inspirei" alguém a criar um blog como o seu. De verdade.
    Inclusive, gostei do título. Rs
    Acho que pagar alguém pra te escutar é útil enquanto a cara da pessoa não se torna uma figurinha repetida na sua vida. Meu psicólogo parou de "servir pra alguma coisa" quando eu percebi que já estava com ele a tempo demais. Chega uma hora em que simplesmente para de adiantar. Não que já tenha adiantado um dia, mas é o que você disse: as vezes é bom poder só falar e falar sem ser interrompido.
    Fiquei curioso em relação ao papel do seu irmão na sua vida, e o que sua mãe tanto reclama dele.
    Escrever é bom. Sob "anonimato", melhor ainda. Meu blog me tem sido muito útil já a mais de dois anos.
    Fale mais sobre o que te perturba. Aposto que vai te fazer sentir melhor. E continuaremos aqui. Eu, pelo menos, garanto que continuarei te lendo, Vicky.

    obs: a tatuagem no seu pulso... É o quê?

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  3. Sou diferente de você. Comigo, passar o que eu sinto através de contos é muito mais fácil que desabafar. Por mais que sua psicologa não esteja "dando certo", acredite, vai fazer falta poder falar qualquer coisa pra alguém quando acabar.
    Concordo com a Juliana ali em cima, acho que "ter uma pessoa imparcial -mesmo paga- é melhor que alguém de dentro que vai escolher um "lado"."
    Fique bem, tente não fazer nenhuma loucura. E escreva, menina, escreva sem parar.
    bjão!

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